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Barriga negativa: você pode ter uma?

Os anos vão passando e os ideais de beleza estão sempre aí. Eles mudam com o tempo mas jamais deixam de existir. A febre do momento nas academias tem nome e sobrenome: barriga negativa. Recentemente exposta nas redes sociais pela modelo sul-africana Candice Swanepoel, o modismo traz faz com que os ossos da pelve fiquem mais proeminentes que a musculatura abdominal. Mas será que qualquer pessoa pode desfilar o modelito por aí?
O clínico geral e fisiologista do exercício João Pinheiro garante que a barriga negativa não é para todo mundo. "Algumas pessoas com membros inferiores maiores que o tórax, chamadas de longilíneas, terão maior facilidade para conseguir o efeito devido à genética favorável", explica. Já as pessoas que possuem na sua constituição uma predominância em acumular gordura no abdômen terão maior dificuldade.
Giovana Guido, nutricionista esportiva da Dr. Shape, alerta que dificilmente uma mulher do tipo mignon - estilo da brasileira - irá atingir a barriga negativa, mesmo com muita dieta e exercícios. "Para ter esse estilo de barriga só tendo um percentual de gordura bem baixo e um Índice de Massa Corporal (IMC) menor do que o normal", salienta. E isso não é nada saudável.
Além da amenorréia (falta de menstruação) que aparece quando a gordura corporal atinge nível inferior a 7%, outros problemas de saúde podem dar o ar da graça. "Perda de tecido mamário, diminuição da ovulação, baixa consciência, arritmias cardíacas, doenças de pele por deficiência de alguns minerais, desmaios, baixa atividade hormonal e diminuição da vitalidade", pontua Gabriel Cairo Nunes, nutricionista esportivo da Clínica Healthme Gerenciamento de Peso.
Para quem está dentro do perfil longilíneo favorável, o resultado vem com dedicação. "Com uma dieta hiperprotéica rigorosa e exercícios aeróbicos de baixa e média intensidade e longa duração - no mínimo 60 minutos, de 5 a 7 dias por semana - é possível chegar a um abdômen negativo", observa o Dr. Pinheiro, ressaltando que algumas pessoas podem alcançar esse objetivo com maior facilidade, outras demoram mais um pouquinho.
Ricardo Santos, campeão Sul Sudeste e Paulista de Culturismo, personal trainer e treinador de atletas da Dr. Shape, diz que as pessoas devem afastar qualquer dieta mirabolante e exercícios sem supervisão. "O indivíduo deve, primeiramente, ser avaliado por um profissional especializado e assim ter o melhor acompanhamento possível para seu objetivo, sempre levando em conta sua rotina diária e genética. Dessa forma, as pessoas com condições de obterem a barriga negativa a terão com ações e rotinas adaptadas, com medidas saudáveis e seguras como alimentação, suplementação e programas de exercícios personalizados".
Pinheiro garante que, se acompanhada por profissionais capacitados, a jornada para conseguir a barriga negativa não traz prejuízos à saúde. "Não há riscos desde que a pessoa faça uma monitorizarão contínua do perfil hormonal e energético", diz o médico, esclarecendo que, por exemplo, exercícios abdominais realizados sem critérios podem lesionar a coluna lombo-sacra. Além disso, conforme explica Ricardo, lutar contra a natureza do próprio corpo para chegar a um resultado pode trazer consequências como uso de drogas, bulimia e anorexia. E todo mundo já sabe que isso não é nada bom.
De acordo com Gabriel, para evitar danos à saúde o indivíduo deve fazer uma dieta com cerca de 1200 calorias, gastando ao menos 500 calorias nos exercícios. A nutricionista Giovana Guido acredita que o ideal é sempre seguir uma dieta equilibrada em todos os nutrientes, porém, remanejada de forma correta a fim de agilizar os resultados. "Os principais cuidados são: evitar consumo extremamente baixo de calorias, cortar carboidratos, não ficar muito tempo sem se alimentar, não basear a dieta em um ou dois alimentos e sim ter uma dieta variada e ter alta ingestão de líquidos ao longo do dia", ensina.
Os suplementos alimentares podem dar alguma ajuda. "Eles aceleram os resultados da dieta e dão uma motivação extra. Neste caso, os termogênicos/queimadores de gordura são bem indicados, assim como os diuréticos naturais, bloqueadores de absorção, fibras, emagrecedores e shakes protéicos/dietéticos", esclarece Giovana.
Alguns alimentos dão uma estufadinha na barriga, mas Gabriel Cairo lembra que é uma situação transitória. "Leite, grãos e alimentos integrais podem fazer o abdômen inchar, mas isso dura pouco tempo. Varia de uma a duas semanas, até o corpo regularizar a produção de bactérias benéficas ao intestino, e assim o tamanho do abdômen volta a sua normalidade. O que nunca deve acontecer é se alimentar com grandes volumes de comida em uma mesma refeição, pois isso leva a maior putrefação ou digestão alimentar - que libera gases e assim aumento a barriga", pondera.
Giovana ressalta que conseguir uma barriga negativa só pode ser considerado favorável se o intestino funcionando perfeitamente e se não houver nenhum grau de retenção no organismo. O correto é conseguir chegar aos objetivos sem sacrificar a saúde.
Então, se você não tem biotipo para ostentar a barriga da moda, contente-se com o abdômen sequinho. "Barriga sequinha é a tradicional forma de abdômen malhado sem gordura localizada e flacidez. Temos, neste caso, um abdômen bem rígido às custas de muito treino de abdominais bem executados e intensos e um percentual de gordura baixo. Porém não veremos os famosos "gominhos" que é fruto de uma boa hipertrofia da musculatura abdominal conseguida com treinos específicos", finaliza Ricardo.

Fonte:http://br.mulher.yahoo.com/barriga-negativa-voc-pode-ter-uma-140500516.html

Retenção de líquido como tratar


Retenção de líquido é um mal que atinge principalmente as mulheres, geralmente confundida com o aumento de peso, causa desconforto não só com a aparência como também é responsável pelas varizes, celulites, inchaço abdominal, e também por problemas como a acne, devido ao acúmulo não só de líquidos como também de toxinas.

Retenção de líquido causas

Retenção de líquido causas mais conhecidas são alterações hormonais associadas ao ciclo menstrual, reação do corpo à altas temperaturas, mas a principal de todas é exagerar no sal. O sal é rico em sódio, que o corpo para diluir precisa contar com a ajuda da água. Ao consumir muito sal obrigamos o corpo a guardar toda a água que ingerimos. Por isso reduzir a quantidade de sal na dieta, ajuda a libertar o excesso de água do corpo.

Retenção de líquido como evitar

Retenção de líquido como evitar existem alguns cuidados que podemos tomar no dia a dia para diminuir e eliminar o acúmulo de líquidos no organismo. Mas se o problema persistir é indicado procurar orientação de um profissional na área de saúde.
  • O sal é a principal fonte de sódio. Portanto, tente reduzir a ingestão de sal nas refeições.
  • Opte por especiarias e ervas aromáticas para temperar suas receitas.
  • Beba muita água. Ao contrário do que parece, beber água ajuda na redução dos líquidos acumulados.
  • É recomendável ingerir alimentos ricos em potássio, como a banana, e alimentos que tenham um elevado conteúdo de carboidratos complexos, como massas e arroz.
  • Ingira uma porcentagem elevada de proteínas, presentes nas carnes magras e aves, ovos, laticínios, leguminosas, cereais e peixe. O fígado precisa de proteínas para produzir albumina, uma substância necessária para que os fluidos não se acumulem nos tecidos e causem a retenção.
  • Os chás com diuréticos suaves, como a cavalinha, ajudam a melhorar o problema, forçando a eliminação de líquidos através da urina.
  • Evite cruzar as pernas, este ato comum das mulheres, faz com que diminua a circulação sanguínea, proporcionando a retenção.
  • Roupas justas também faz com que aumente a pressão e piore o edema.
  • Tente diminuir ou cortar de vez o consumo de álcool.

Retenção de líquidos alimentos

Retenção de líquidos alimentos para acabar com o problema devem ter propriedades diuréticas que ajudam no funcionamento dos rins, órgão encarregado da eliminação dos excessos de líquidos no organismo, além disso deve-se diminuir o sal e aumentar o consumo de água.
  • Abacaxi Beneficia o aparelho urinário, ajuda na digestão, e ainda pode ser eficaz para dissolver coágulos sanguíneos.
  • Água de coco Ajuda a reduzir o colesterol, a pressão arterial, combate a desidratação e purifica o sangue.
  • Melancia É diurética, digestiva, antioxidante e combate a obesidade.
  • Melão Ajuda na desintoxicação alimentar, males dos rins, é hidratante e também auxilia contra a obesidade.
  • Aipo ou salsão É diurético, elimina o excesso de líquidos no corpo, previne a celulite, inflamações das vias urinárias e cálculos renais.
  • Cenoura, pepino, beterraba e dente de leão São fontes de vitaminas e minerais, que ajudam na eliminação dos excessos de líquidos.
Fonte:http://dietaedicas.com/retencao-liquido

Consumo de açúcar: saiba como se libertar dessa tentação que envelhece e vicia


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( Foto: Thinkstock
)

Cientistas do mundo todo têm estudado mais a fundo os males doaçúcarnos últimos anos, e a constatação é de que ele é muito mais perigoso do que parece. A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que ele represente até 10% do total de calorias ingeridas diariamente, não mais do que isso. Ou seja, se sua dieta é de 2 mil calorias, cerca de 200 delas podem vir do ingrediente — o que equivale a dois brigadeiros de 20 gramas cada um, uma fatia fina de bolo de chocolate ou 5 colheres de chá do ingrediente adoçando sucos, cafés, chás e receitas em geral. "É do que seu corpo precisa para ter energia suficiente para funcionar. Mas você pode fazer escolhas saudáveis tirando essa energia de opções mais nutritivas, como oaçúcarmascavo, o orgânico e o das frutas", diz a endocrinologista Cintia Cercato, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso). Os brasileiros não só fazem vista grossa para esse tipo de recomendação como costumam extrapolar o limite estabelecido: o consumo chega a 14,5%. Confira os três principais motivos para reduzir a ingestão de açúcar e veja como substituí-lo no dia a dia.
1. Causa dependência
Ao entrar em nosso organismo, depois de passar por um processo de refinamento e perder fibras e nutrientes, oaçúcar, literalmente, vicia. Ele aumenta a produção de hormônios que causam a sensação de bem-estar, como a dopamina e a serotonina. Assim, funciona como se fosse um sistema de recompensa: quanto maisaçúcarvocê consome, mais dopamina é liberada no organismo e mais satisfeita você se sente. Acostumada ao prazer, terá mais e mais vontade de atacar guloseimas — e em doses cada vez maiores. "A compulsão alimentar, principalmente por doces e carboidratos refinados, é tão forte quanto o envolvimento com drogas ilícitas", compara a nutricionista Lucianna Jardim, do Rio de Janeiro. A sensação de satisfação, porém, dura pouco: apenas até o momento em que a insulina, substância produzida pelo pâncreas, entra em cena para varrer todo esseaçúcarda corrente sanguínea e levá-lo às células, estocando-o em forma de gordura. Com ele fora da circulação, você volta a sentir falta do ingrediente e o ciclo recomeça. Quando há excessos, o pâncreas sofre sobrecarga e deixa de produzir insulina. Como resultado, a pessoa desenvolve diabetes.
2. Acelera o envelhecimento
"Existe um processo natural do corpo chamado glicação. Com outros mecanismos, como a oxidação, ele é responsável pelo envelhecimento. O açúcar potencializa essa ação", explica o dermatologista Alexandre Filippo, do Rio de Janeiro. A glicação é desencadeada quando a glicose, proveniente do açúcar, adere a uma molécula de proteína e origina os Advanced Glycation End Products (AGE). Eles são depositados sobre as células e dificultam a reparação e a renovação de elastina e colágeno. Exatamente por isso, a pele perde viço e aparecem rugas e manchas. Filippo ressalta ainda que a glicação tem efeito cumulativo. "Depois de muito tempo de consumo contínuo de açúcar, as consequências para a pele serão para a vida toda", alerta ele. Apesar de nenhuma pesquisa ainda ter estabelecido a quantidade de açúcar capaz de piorar o processo, a relação entre o ingrediente e o envelhecimento já foi comprovada por um estudo do Centro Médico da Universidade de Leiden, na Holanda, feito em parceria com o setor científico da multinacional Unilever. Seiscentos voluntários entre 50 e 70 anos fizeram, primeiro, exames para identificar quanto de açúcar tinham no sangue. Em seguida, foram fotografados. Outros 60 voluntários analisaram as fotos e estimaram a idade de cada um. Os que tinham mais açúcar no sangue também aparentavam mais idade — para cada 18 miligramas (menos de 1% de 1 colher de chá) por litro acima da média considerada ideal para a idade, a pessoa parecia ser cinco meses mais velha.
3. Pode ter relação com o câncer
Na sociedade científica, a relação entre o açúcar e o surgimento de tumores cancerígenos ainda é um tema polêmico. Mas a maior parte dos últimos artigos publicados consegue estabelecer um padrão de causa e consequência. Para começar, descobriu-se que as células doentes exigem mais glicose do que as normais para funcionar. Isso quer dizer que o açúcar seria essencial para a proliferação e o crescimento de tumores. Em 2011, um estudo da Universidade de Yeshiva, nos Estados Unidos, analisou 5 mil mulheres que já haviam passado pela menopausa. Durante 12 anos, foram medidos os níveis de açúcar e insulina no sangue delas. Ao final desse período, 81 desenvolveram câncer colorretal. Conclusão da pesquisa: aquelas que apresentavam maior nível de glicose no sangue tiveram duas vezes mais risco de desenvolver a doença. Já em outro estudo americano, de 2012, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, cientistas descobriram que os tumores alteram o processo de glicação e produzem um tipo de açúcar que estimula seu crescimento. Pacientes com câncer de mama e de pulmão tinham de duas a quatro vezes mais essa espécie nociva de açúcar no sangue do que pessoas saudáveis. Os resultados ainda não são conclusivos, mas os cientistas adiantam que isso pode ser um bom pontapé inicial para a descoberta de novas curas.


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Corte radical no consumo
Segundo a médica Cintia Cercato, dá para reduzir bem o consumo do ingrediente eliminando refrigerantes e sucos adoçados e restringindo drasticamente os alimentos industrializados. Além disso, reserve os doces para ocasiões especiais — como fins de semana — e, em casa, troque, tanto para adicionar em bebidas como para preparar guloseimas, o açúcar refinado por versões mais saudáveis, como o mascavo e o orgânico. "Têm o mesmo efeito sobre o corpo e calorias quase iguais, mas oferecem mais benefícios", diz Celso Cukier, nutrólogo do Hospital São Luiz, em São Paulo. Veja os prós e contras dos substitutos.
Aspartame e ciclamato
São sintéticos e, por causa da alta quantidade de compostos químicos, há limites no consumo. "Recomendam-se, no máximo, dois saquinhos de 0,8 grama por dia", diz Celso. O poder adoçante supera muito o do açúcar; daí ser mais fácil seguir a recomendação de ingerir com moderação. Mas há controvérsias em torno de seu uso devido a possíveis efeitos colaterais, como dor de cabeça e até câncer (embora nenhuma pesquisa confirme isso).

Estévia
O adoçante é derivado da planta de mesmo nome, típica da América do Sul. É o mais indicado, pois tem origem natural. Também tem poder diurético e auxilia na regulação da pressão arterial. Não há limite máximo para o consumo, mas fique atenta: em grande quantidade, pode conferir sabor levemente amargo aos pratos.

Açúcarorgânico
Não tem nenhum agente químico envolvido no processo de produção, ou seja, a cana e o solo são cultivados sem aditivos ou fertilizantes sintéticos. Seu poder adoçante é similar ao do açúcar refinado, e o consumo recomendado é também de até 5 colheres de chá por dia. Preste atenção no rótulo, pois esse tipo de produto precisa ter um selo certificando sua origem.

Açúcarde beterraba
É produzido da mesma forma que o açúcar tradicional, mas vem da beterraba. Contém mais frutose (o da cana é rico em glicose) e é mais famoso na Europa, onde o clima ameno facilita o desenvolvimento dessa planta. O indicado é ingerir 5 colheres de chá por dia, no máximo.

Açúcarmascavo
Também é extraído da cana, mas não passa pelo processo de refinamento, o que faz com que mantenha grande parte dos seus nutrientes, como cálcio, magnésio e potássio. Tem quase o mesmo número de calorias que o refinado e seu consumo deve, do mesmo modo, girar em torno das 5 colheres de chá diárias.

Mel
É um pouco menos calórico do que oaçúcar: são 16 calorias em 1 colher de chá ante as 20 doaçúcar. Também é mais saudável, já que é rico em potássio, cálcio e nas vitaminas B e C. Ainda há estudos comprovando que ele fortalece o sistema imunológico e reduz o colesterol. Consuma até 3 colheres de sopa por dia.

Alfarroba
Uma vagem é a origem do pó de sabor similar ao do cacau. É um substituto do chocolate, mas também pode ser usado como adoçante em receitas, pois tem açúcares naturais, como sacarose e frutose, mais saudáveis que o refinado, além de vitaminas e fibras. Utilize 5 colheres de chá do pó.
Olho vivo nas versões diet e light
Não é porque o produto traz essas palavras mágicas que você pode consumi-lo à vontade. Para começar, nem tudo que é diet é livre deaçúcar- o nome indica apenas que é isento de algum ingrediente, talvez até gordura ou glúten. Já os itens light apresentam redução de 25% das calorias ou, então, de alguma substância da composição, que pode ser sal ou carboidrato. Assim, leia com atenção o rótulo. "Às vezes a versão diet ou light é até mais calórica do que a normal", diz o nutrólogo Celso Cukier. Ainda que seja mesmo livre deaçúcar, cuidado. Ao ingerirmos um alimento desse tipo, nosso corpo se prepara para receber algo doce e libera insulina. Como oaçúcarnão vem, ele responde de duas formas: desacelera o metabolismo para economizar energia, acumulando gordura, ou provoca um desejo ainda maior poraçúcarpara compensar a frustração.

Fonte:http://claudia.abril.com.br/materia/consumo-de-acucar-saiba-como-se-libertar-dessa-tentacao-que-envelhece-e-vicia/?p=/saude/dieta

Chia: além do emagrecimento

 
Raio x da chia em 100 gramas
Energia 371 cal
Proteínas 21 g
Carboidratos 42 g
Gorduras totais 31 g
Gorduras poli-insaturadas 25 g
Fibras totais 41 g
Cálcio 556 mg
Potássio 666 mg
Fósforo 750 mg
Magnésio 326 mg
Ferro 6 mg
 
Quando desembarcou no Brasil, há pouco mais de um ano, a chia não demorou a entrar na lista de compras dos interessados em perder peso. Nada mais compreensível. Como uma de suas principais características é virar uma espécie de gel ao entrar em contato com a água, ela dá uma baita saciedade, evitando ataques desenfreados de gula ao longo do dia. Só que os benefícios do pequeno grão - consumido por civilizações pré-colombianas há milhares de anos - não ficam restritos ao emagrecimento. Pelo menos é o que a ciência tem revelado.

Em estudo recente da Universidade de Queensland, na Austrália, a semente mostra por que merece aplausos em outros âmbitos. Em um primeiro momento, ratos foram alimentados com bastante gordura e carboidrato. Depois, os cientistas acrescentaram chia na dieta deles durante oito semanas. Ao final da intervenção, ficou claro que a inclusão da semente melhorou a sensibilidade dos bichos à insulina. "Isso significa que o hormônio foi mais eficiente na hora de encaminhar a glicose aos tecidos, processo necessário para a geração de energia", explica Lindsay Brown, uma das autoras da investigação. No caso dos portadores de diabete, que ralam para manter o açúcar que passeia pelo sangue em níveis adequados, o efeito é pra lá de bem-vindo, já que representa um maior controle da doença.

O resultado também deve ser encarado com empolgação por pessoas com sobrepeso. É que a maioria já apresenta resistência à ação da insulina. "Daí sobem os riscos de diabete e complicações cardiovasculares", conta a nutricionista Carolina Chica, da Unidade de Doenças Cardiovasculares da Pontifícia Universidade Católica do Chile. Tem mais: na pesquisa, a chia livrou o fígado de adiposidade. "Esse quadro, conhecido como esteatose hepática, pode culminar em danos permanentes no órgão", informa a nutricionista chilena.

A enxurrada de benefícios parece ter um denominador comum, que atende pelo nome de ácido alfalinolênico - ou ALA, para simplificar. Trata-se de uma fração do ômega-3, gordura poli-insaturada encontrada aos montes na chia. Seu trunfo: combater a inflamação detectada no corpo devido à obesidade e que prejudica órgãos como coração, fígado, cérebro... "Acontece que esse ácido graxo ajuda a reduzir a produção de uma enzima chamada SCD1. Quando isso ocorre, há menor liberação de substâncias inflamatórias no organismo", esclarece a nutricionista Sandra Soares Melo, da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em Santa Catarina.

Gordura na cintura? Perigo!
O peso excedente, vale ressaltar, é um dos principais culpados pela síndrome metabólica, que contribui para piripaques cardiovasculares, a exemplo de infarto e derrame. "A tal síndrome é diagnosticada quando o paciente apresenta concentração de gordura abdominal e pelo menos mais dois fatores de risco, como glicose e triglicérides elevados, entre outros", descreve a endocrinologista Cíntia Cercato, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, em São Paulo. Ainda bem que a semente de chia, com seu ácido graxo anti-inflamatório, protege contra todo esse chabu.

A comprovação vem da Universidade Nacional Autônoma do México. Inicialmente, os cientistas pediram a voluntários com aquele combo de problemas que deixassem de consumir 500 calorias no seu dia a dia. Duas semanas depois, dividiram o pessoal em duas turmas. Enquanto uma ingeriu uma bebida à base de proteína de soja, aveia e chia, a outra recebeu uma mistura inócua. Em dois meses, todo mundo apareceu no laboratório com a barriga mais enxuta. Mas só o grupo que tomou o líquido com a semente viu fatores intimamente associados ao mal perderem força. "O mais interessante é que as duas turmas emagreceram igualmente, o que nos leva a concluir que a bebida foi, de fato, a grande responsável pela melhora da síndrome", reflete Cíntia.

Aproveitando que o assunto aqui gira em torno do coração, não dá para esquecer que o ômega-3 da chia ainda favorece a redução da pressão arterial. "Na prática, ele diminui a formação de tromboxano, uma molécula que estimula o aperto dos vasos. Por outro lado, aumenta a síntese de prostaciclinas, que são vasodilatadoras", ensina a nutricionista Anna Carolina Di Creddo Alves, do Instituto do Coração, na capital paulista. Sem falar que esse tipo gorduroso evita a oxidação do colesterol LDL, processo que o torna um verdadeiro vilão para o peito - afinal, é nesse formato que a molécula propicia o desenvolvimento de placas nas artérias.

Não vá pensando que a semente é indicada só para quem está com a saúde desajustada. Lá atrás, quando maias e astecas se deliciavam com o alimento, a intenção era aperfeiçoar a resistência física. Hoje, estudiosos da Universidade do Alabama, nos Estados Unidos, sabem que a estratégia funciona. Por um período, antes de provas longas, eles deram isotônico a seis atletas amadores. Depois, os voluntários tomaram uma mistura desse líquido com uma bebida à base de chia. Após cada intervenção, os rapazes correram por uma hora na esteira e mais 10 quilômetros em uma trilha. Acabada o suadeira, a surpresa: "Concluímos que o ômega-3 do grão melhora o rendimento dos atletas na mesma medida que o carboidrato do isotônico", revela Travis Illian, autor do projeto.

Para o cientista, a principal vantagem da descoberta é oferecer aos esportistas um substituto à altura para os tradicionais isotônicos, cheios de açúcar. Mas, se você não pretende participar de uma maratona, uma boa pedida é usar a farinha ou grão de chia duas horas depois dos exercícios. Assim, dá para aproveitar as fibras solúveis que a semente esbanja. "Essas substâncias retêm água, o que prolonga a hidratação e a presença de minerais no organismo", explica a nutricionista Paula Crook, da PB Consultoria em Nutrição, em São Paulo.

Foi justamente nessas versões, ou seja, semente e farinha, que a nutricionista Sandra Soares Melo, da Univali, levou o alimento andino para o laboratório. O objetivo era comparar a ação de ambas as variedades em temperatura ambiente e aquecidas. "Vimos que, por causa das fibras, todos os tratamentos estimularam o trânsito intestinal nos animais analisados", conta.

Contudo, quando a pesquisadora e seus alunos avaliaram o estresse oxidativo - fator relacionado a doenças como diabete e câncer -, ficou evidente que ele só foi amenizado quando as cobaias ingeriram o farelo que não passou pelo fogo. "Ele não apresenta gordura como a semente. E a substância é a principal a sofrer oxidação. Esse processo também é facilitado quando a temperatura está elevada", justifica Sandra. Logo, se a ideia é barrar o estresse oxidativo, já sabe: a farinha ao natural é a melhor opção.

Agora, se estiver de olho em uma ação mais global a favor do funcionamento do corpo, as sementes saem na frente. Basta consumir duas colheres de sopa todos os dias. Só duas mesmo. "Como a chia tem muitas fibras, pode dificultar a absorção de alguns minerais, além de desregular o intestino se não houver consumo adequado de água", frisa o nutricionista José Aroldo, diretor da Nutmed, no Rio de Janeiro. Seguindo essa recomendação, certamente você terá tantos motivos quanto as civilizações antigas para idolatrar a semente de chia.

Se a intenção é perder peso...
Seu principal objetivo com a chia é mesmo afinar a cintura? Então faça o seguinte: deixe a semente na água por pelo menos 40 minutos. Quando a mistura se transformar em um gel, adicione suco de uva sem açúcar para obter uma espécie de sagu. "Consuma no café da manhã ou no lanche do final da tarde. Dessa maneira, você evita abusos nas principais refeições do dia", aconselha a nutricionista funcional Vanderlí Marchiori, de São Paulo.

Fonte:http://saude.abril.com.br/edicoes/0359/nutricao/chia-alem-emagrecimento-726737.shtml

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